"first edition"
Pois é...fui apanhada pela blogoesfera(!?)
esta é a 1º edição de outras tantas, mais ou menos regulares, com oscilações provenientes de vários factores....
Na espectativa de partilhar algo, fica aqui a última coisa que escrevi....
até breve
h
Rambla Carioca
As saudades aguçaram a necessidade de recordar esses tempos que por aí passei. E ao jeito quase de roteiro turístico senti vontade de descrever o percurso da casa na Sta Clara até ao calçadão, dos coqueiros, já sem cocos e da calçada portuguesa. Era um percurso sempre diferente. O que não mudava eram os prédios de hall gradeado, com porteiros habituados à algazarra da rua, com um olho na campainha e outro nas “mininas” de short curto que chegavam da praia. Havia também os quiosques onde se podia comprar os jornais e carregar o “celular”, sim, porque “telemóvel” soava a palavra estranha que suscitava o riso, e as padarias com todos os produtos de índole alimentar, desde o bolinho de queijo, ao frango assado, passando pelo quibe e pelo café “Cruzeiro”. Aqui, na zona sul, a zona inn da cidade, as ruas eram largas e compridas, havia ainda espaço para as lojas de perfumes, roupa e calçado que atraiam os olhares dos gringos que por ali passavam. Era inevitável não entrar...e logo aparecia a moça de bloquinho e caneta em punho, que já a tratar-nos pelo nome fazia uma exibição exaustiva dos produtos expostos. Ok, até podem pensar que era simpático da parte das vendedoras, mas aquilo chateava. Não sentia a liberdade de entrar por uma Zara a dentro e experimentar o que quisesse sem dizer água vai.
Mas nem sempre era assim.
Por vezes o trajecto era mais curto, sem tempo para espreitar as montras. Passava sempre pela senhora que vendia goiabadas e bananadas ao preço da chuva para sustento seu e dos pobres pequenos que segurava com um braço enquanto o outro pendia à procura de uma esmola. Essa era a parte pior...tanta gente a dormir na rua, ou melhor, a viver na rua. Havia um jovem casal que certamente por tantas noites mal dormidas já sentia aquele pedacinho de passeio como muito seu. Dormiam com se estivessem entre quatro paredes, numa descontracção desconcertante. Ele punha o braço por trás da nuca, ao jeito de almofada, deixando exibir a tatuagem. Ela, reconfortava-se no seu calor, esboçando um certo ar de reconforto. Na esquina da Santa Clara com a Nossa Senhora de Copacabana havia também uma mulher sempre vestida de branco, sentada num degrau duma montra, que trazia consigo um retrato, nunca cheguei a perceber de quem... Mas o que mais me provocava um sentimento de tristeza, era um pobre homem, já um pouco desconfigurado pela vida madrasta, . uma vez dei-lhe cinco reais. Até do gesto de estender a nota ele teve medo. Parecia completamente alheado, sobretudo do sentimento de si.
...
E eis que, depois de passar pelo vendedor de óculos de sol “linha branca” e da banca dos “2 bolinhos a 1 real”, voi lá, ela toda poderosa, a Av. Atlântica no seu esplendor de vida abençoada pela natureza.



0 Comments:
Post a Comment
<< Home