Sunday, November 26, 2006

Desacerto

«Ternura em movimento,
Vamos os dois - o sol e a sombra juntos,
O futuro e o passado no presente.
O que te digo é urgente;
O que tu me respondes não tem pressa.
A minha voz acaba na vertente
Onde a tua começa.

Apertamos as mãos enamoradas.
Uma quente, outra fria...
E sorrimos às flores que no caminho
Nos olham com seus olhos perfumados.
Tu, de pura alegria;
Eu, de melancolia...
Um a cuidar, e o outro sem cuidados.

Canta um ribeiro ao lado.
Ambos o ouvimos, mas diversamente.
O que em ti é promessa de frescura
À terra da semente semeada,
Em mim é já certeza de secura
De raiz arrancada.

Almas amantes e desencontradas
Na breve conjunção
Que tiveram na vida,
Levo de ti um halo de pureza,
Deixo-te a inquietação duma lembrança...
E é inútil pedir mais à natureza,
Surda ao meu desespero e à tua confiança. »

Miguel Torga
Coimbra, 26 de Junio 1966

este fds estive sobre as nuvens, a contemplar serras onduladas de um verde fresco e azul. Desliguei o tlm., tentei sentir a natureza, sentir-me a mim

chego e encontro este poema na caixa de mail...faz tanto sentido, neste momento

6 Comments:

Blogger intruso said...

:)

12:59:00 AM  
Blogger Joana Gancho said...

é bonito o poema...
não conhecia este..
obrigada! :)

11:07:00 PM  
Blogger magarça said...

O poema é muito bonito! Estou a sentir falta de uns dias assim, longe de tudo e mais perto de mim.

12:34:00 AM  
Blogger Thiago said...

Boa escolha e obrigado pela partilha e passagem pelo meu eu. Gostei muito do que li, ouvi e vi por estes lados. um abraço

10:36:00 PM  
Blogger h said...

;*

até breve T.

11:52:00 PM  
Blogger h said...

oh amigos! é tão bom chegar e encontrar-vos...ainda que não diga nada, tb vos espreito, mas fico na incerteza de escrever!

obrigada por partilharem...

12:02:00 AM  

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